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8 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Mulher bela e forte



     Ao longo do tempo, a figura feminina sempre foi associada aos cuidados domésticos e familiares, haja vista o caráter educativo, cuidadoso e sensível que a mulher adquiriu neste processo. Ser mulher no século 21 é desafiar a história machista, construída e solidificada pelos interesses econômicos, sociais e políticos. Entretanto, uma nova realidade desponta nesta conjuntura, emergindo criticamente “o sexo frágil” de nossa atual sociedade.

     Queria fazer um texto bem formal, bem organizado morfo-sintaticamente e com expressões fortes, mas não em terceira pessoa. Não consigo me colocar fora deste contexto fantástico e nem perder de vista o alvo mais marcante deste objeto de leitura: a beleza. Isso mesmo! Porque falar sobre mulher é deixar florescer a beleza que este ser transmite em sua pluri-singularidade. Escrever sobre a mulher é retratar, com graciosidade e ousadia, a história grandiosa, protagonizada por elas que almejam gozar dos iguais direitos, assim como os homens.


Coração para as mulheres



     É próprio do ser feminino a arte de educar com cuidado e sensibilidade os seres que a rodeiam, ao mesmo tempo em que os torna fortes e autônomos pela sua firmeza. Atribuir à mulher vivências domésticas não significa torná-la inferior, desde que estas não sejam usadas exclusiva e unicamente para a manutenção da hierarquia e do poder atribuído ao homem neste processo. Muito pelo contrário, é dentro de casa que mulher e homem interagem e buscam o equilíbrio de uma vida harmoniosa e socialmente complementada.

     Até porque não cabe mais, dentro do século 21, tanto preconceito. A mulher atual emerge, consideravelmente, com o apoio ferrenho deste modo de produção, a fim de fazer crescer a vida familiar e enraizar nesta sociedade machista valores mais éticos, capazes de humanizar os seres que aqui habitam. O nosso modelo econômico gosta de ver a mulher no mercado de trabalho, porque sabe que só tem valor o ser humano que consome, e quanto mais consome, melhor.

     Não estou aqui recriminando as mulheres que trabalham (até porque estou neste parâmetro também), o que pretendo é apenas apresentar a intencionalidade de todas as ações nesta sociedade regida pelo neoliberalismo. O direito ao trabalho deve ser assegurado e garantido por todo e qualquer governo, para todo cidadão e toda cidadã, entretanto não devemos cair nas armadilhas do consumismo e reduzir nosso poder de transformação social ao de meras consumidoras inconseqüentes.

     Tudo é muito bem planejado e nada é por acaso. A mesma sociedade que faz a mulher crescer e reconhece seu suor, ainda paga seu salário inferior ao do homem, mesmo ela exercendo a mesma função que ele. Valoriza-se o ser original e diferente esteticamente, quando também define os padrões de beleza, criando as anoréxicas, bulímicas e depressivas. É tudo muito contraditório, mas é na contradição que a mulher se fortalece... É na dialética que a vida acontece! Neste século, o coração que não for das mulheres tem que ser para elas! Axé!


Maicelma Maia Souza,


pedagoga, pós-graduanda em Psicopedagogia Institucional e Clínica, Jequié, BA.
Artigo publicado na edição nº 374, jornal Mundo Jovem, março de 2007, página 15

 

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